Nas consultas de puericultura, costuma-se fazer orientação alimentar para prevenir distúrbios nutricionais, orientação de imunização para prevenir doenças infecciosas, orientação sobre o desenvolvimento e muitas vezes nenhuma palavra é dita para prevenir acidentes. A maioria dos acidentes na infância acontece no ambiente doméstico.
Grande número de pais não percebe as situações de perigo existentes em casa, embora, para a maioria da população, as condições socioeconômicas precárias determinem uma convivência constante com situações de risco elevado para acidentes. 
É fundamental a avaliação do estágio de desenvolvimento para identificação dos riscos e o direcionamento das orientações a serem feitas. Dados epidemiológicos sugerem uma relação entre idade, ou estágios de desenvolvimento, e tipos de acidentes. Nos recém-nascidos, por sua dependência total do adulto, muitos dos acidentes vão ser determinados pela forma de cuidados que recebem dos pais e cuidadores.
Assim, são frequentes, nesta faixa etária, as sufocações por vestes inadequadas, roupas de cama e protetores de berço, queimaduras na exposição ao sol ou por água quente no banho, a aspiração de leite, as intoxicações medicamentosas por uso de medicações inadequadas ou em doses errôneas.
Logo, os pais devem evitar: colocar fitas, cordões no pescoço, evitar excesso de roupas no berço, não dar mamadeira com a criança dormindo, só colocar no berço após a criança eructar, evitar banhos de sol fora do horário recomendado pelo pediatra, testar temperatura da água do banho e só oferecer medicamentos com receita médica. Durante o primeiro e segundo ano de vida, o desenvolvimento motor, permitindo à criança rolar no berço, sentar-se, engatinhar e andar, cria novas situações propícias aos diferentes tipos de acidentes.
É necessário: não oferecer brinquedos que soltem pequenas peças, não deixar a criança sozinha na cama, no trocador, na banheira, bloquear com grade o acesso às escadas e cozinhas, cobrir tomadas elétricas, não deixar a criança próxima a ferro quente, colocar rede em janelas, proteger piscinas com capa, evitar o uso de andadores, lembrando que estes são responsáveis por grande parte dos traumatismos cranianos em lactentes e já são totalmente contra-indicados pela sociedade brasileira de pediatria. 
Em crianças em idade pré-escolar e escolar com maior desenvolvimento motor e, portanto, maior capacidade de locomoção, diversificam-se os agentes. Aumentam os riscos de quedas e colisões, eleva-se a frequência das queimaduras que ocorrem na cozinha, como com fósforos e produtos inflamáveis. As intoxicações nos primeiros anos são frequentes, diminuindo, posteriormente, exceto no caso de plantas, que correspondem a 10% das intoxicações na infância.
Sendo então para essa faixa etária imprescindível: manter produtos de limpeza em suas embalagens originais, não armazená-los em garrafas de refrigerantes, facas e qualquer tipo de arma não devem jamais ficar visíveis, não deixar medicamentos e substâncias tóxicas em locais de fácil acesso ou visualização, não deixar brincar em locais de trânsito e iniciar educação sobre trânsito. Lembrando que para todas as faixas etárias o transporte adequado no automóvel é com cadeira respectiva para idade e cinto de segurança é fator essencial para prevenção de acidentes. 
Enfim, somente com a conscientização eficiente de pais e cuidadores sobre as situações de perigo existentes em casa conseguiremos reduzir os acidentes na infância. O melhor cuidado é a prevenção.